Educação Integral, em tempo

Por Ricardo Falzetta, jornalista, matemático para o jornal O Popular, de Goiânia, 18 nov, 2018

É inquestionável que um dos caminhos promissores para reduzir as brechas educacionais – que começam na Educação Infantil, se alargam no Ensino Fundamental e causam um cenário crítico no Ensino Médio – é o da Educação Integral. Crianças e jovens precisam de mais tempo diário de exposição a situações de ensino. Porém, isso não significa apenas aumentar o número de horas da jornada escolar. Educação Integral é mais que isso. Envolve um planejamento pedagógico que faça uso intencional e articulado desse tempo a mais.


A Educação Integral que faz a diferença é a que privilegia o protagonismo do aluno, visando desenvolvimento físico, cognitivo, afetivo, sociomocional e ético. Para dar certo, é essencial o compromisso do poder público em suas diferentes esferas e uma relação mais próxima da Educação com as demais pastas da administração pública, como assistência social, saúde, cultura e transportes. Dessa forma, tornam-se viáveis possibilidades de aprendizado dentro e fora da escola. Finalmente, é fundamental a participação da família e da comunidade para que a Educação seja, de fato, integral. 


Alcançar as metas de oferta de Educação Integral estabelecidas pelos planos de Educação é importante, mas, para ser capaz de promover mudanças realmente impactantes, a Educação integral precisa passar a ser a regra no nosso sistema de ensino público – ofertada principalmente às crianças e jovens mais vulneráveis – e não mais a exceção refletida em escolas modelo.